Tenho uma alimentação bem variada. Desde os legumes mais proteicos aos alimentos mais gordurosos, tipo pizza de calabresa com óleo “pingando”. Como de tudo mesmo! Mas de um tempo para cá vinha percebendo um aumento no meu peso e certa indisposição física para fazer algumas coisas, como correr, por exemplo. Por isso, acabei adotando a algumas semanas atitudes que tem meio que dado certo:


Corra/ande de duas a quatro vezes por semana. 

Se você estiver sedentário como eu, provavelmente não vai conseguir correr de cara. Mas não importa, a ideia é começar! No início, acho legal se exercitar durante 30 minutos para que não fique cansativo e te faça desistir desde o início ou só de pensar. Durante esse tempo, você pode alternar entre a caminhada e o “trote”, que seria tipo o intermédio entre a corrida leve e a caminhada. Uma coisa que me motiva é selecionar umas músicas animadinhas e levar o mp3 comigo. Sempre funciona! Depois monto uma playlist com as músicas que ouço para correr e posto aqui. 

Encontre uma atividade ou esporte que você goste

Se você já fez ou faz academia e aparece lá só para dar um oi para o personal, vou te passar a real: desista amigo. Se tiver uma coisa que aprendi foi: não tem um mínimo de empatia por um exercício? Tenta outro! Simples. Melhor do que ficar desperdiçando dinheiro ou ficar se enganando. Eu, por exemplo, comecei a praticar yoga e estou adorando. E imagina: nunca passou pela minha cabeça que gostaria tanto! Seja o louco fitness e saia para experimentar novos exercícios, você pode gostar de algo que nunca imaginou que te deixaria feliz! 

Leia os rótulos dos alimentos

Sério, isso é muito importante! E mais do que isso, é saber interpretar as informações da tabela nutricional. Não ligue só para as calorias. Se você quiser emagrecer, não se atente somente ao percentual de carboidratos, observe também as proteínas. Aliás, se um alimento tiver muita proteína, pouco carboidrato e muitas gorduras, nem leva! Entrei nessa ilusão de escolher sempre os alimentos com menos carbo possível e com mais proteínas, mas muitas vezes um índice alto de gordura descompensa todo o alimento, além de ser muito prejudicial à saúde. 

Substituir produtos

Existem receitas maravilhosas na internet que ensinam como fazer as receitas mais gostosas usando os ingredientes mais inusitados! Por exemplo: Ruffles de batata doce? Tá liberado! É super simples e dá para fazer rápido pelo microondas:



A Bessie, do blog “Melhor não falar nada”, tem umas dicas bem legais de como deixar os pratos do dia-a-dia mais saudáveis. Você pode conferir clicando aqui.

E você? Tem alguma atitude que te faz sentir melhor e saudável? Conta para mim! :)
Esses dias eu sonhei que morreria às 04 horas da manhã. Talvez assustada com a ideia de quem ainda viveu pouco, acordei 15 minutos antes de virar defunta. Ali, agora, tinha os últimos minutos de vida e decidi então pôr meus pensamentos sobre coisas aleatórias ao invés de tentar imaginar do que eu morreria logo mais. Infarto fulminante? Vai saber, não importaria. Eu ia morrer de qualquer jeito mesmo.

Me veio à mente então um cara chamado Heiddeger, um filosófo que eu tinha ouvido falar alguns dias atrás e que me chamou atenção por suas ideias um pouco óbvias, porém que fazem o maior sentido. Ele dizia que o ser humano é um ser-no-mundo. Que coisa mais óbvia. Óbvia. Demais. Melhore amigo. Até eu pensaria um troço óbvio desse. Talvez sem tanto lirismo.

Fiquei refletindo sobre o significado do substantivo coletivo do cara e vi que poderia ser bem mais que eu imaginava. Estava desprezando suas ideias, desconsiderando particularidades que ele pode ter tentado atribuir ao seu pensamento, e que assim, pode não ter conseguido se expressar totalmente. Talvez não fosse uma ideia tão simples, talvez fosse mais do que uma interpretação óbvia de que o ser humano constrói um mundo na medida em que realiza suas ações individuais. Vai saber. Quantos devaneios já tive que eram intransmissíveis em suas literalidades...A imaginação talvez seja mesmo a única barreira intransponível, realmente inviolável que a gente tem.

Já era quase a hora da minha morte. Mas fiquei tão intrigada com as interpretações únicas que tentam passar de um pensamento de alguém, que acabei esquecendo que iria morrer daqui a pouco. Olhei meu celular e vi que faltavam apenas mais 3 minutos. “Vou pensar em outra coisa. Que tipo de pessoa está morrendo e começa a lembrar do resumo de filosofia do livro de cursinho que leu dias atrás?”, pensei. Agora faltavam mais 2. “Vou mentalizar a minha família e as pessoas que gosto, é a coisa mais normal a se fazer”. De repente, permiti-me ver o horário no relógio ao lado da cama e vi que ainda faltava 1 hora para eu morrer. Não entendi. Chequei o meu celular, aquele no qual tinha checado o horário inicialmente, e por ele, de fato, já eram quase 4 horas. De repente parei de respirar e morri. Era horário de verão. E eu precisava dormir.

Em nome de Deus (originalmente, The Magdalene sisters) é um filme baseado em fatos reais de um caso pouco conhecido. A história se passa na Irlanda, em uma espécie de convento para onde eram mandadas as mulheres vistas como "promíscuas" na época. Lá, elas eram comandadas por freiras e trabalhavam como lavandeiras sem nenhum tipo de remuneração em uma condição semelhante à da escravidão. Algumas chegaram a sofrer abusos por padres e outras morreram em conta da falta de assistência médica, por doenças relativamente simples. A ideia era que lá elas fossem purificadas e redimidas por seus "pecados".

Fotos reais das "Magdalene Laundries"
O governo da Irlanda divulgou um relatório sobre tal vergonha nacional e de acordo com o documento, entre 1992 a 1996 mais de 10.000 mulheres foram mandadas para a Lavanderia Madalena por serem vistas como um fardo para suas famílias. No relatório consta que o Estado irlandês encaminhou para essas lavandeiras 2.124 mulheres, 26,5% do total. Além disso, cerca de 900 mulheres morreram nesses locais de trabalho forçado — a mais nova delas tinha 15 anos.

O longa é simplesmente fantástico e é ótimo para pensar sobre essas questões de gênero, o quanto foi conquistado e quais seriam as prospecções para o futuro. Caso ainda não tenha lhe convencido, o filme me ganhou com a seguinte declaração do diretor: "The Magdalene Sisters não é somente sobre a Igreja Católica e sobre como ela reprimiu jovens mulheres na Irlanda, é sobre todas as fés que pensam que têm o direito de pressionar mulheres".



Apesar de ainda não ter estrutura emocional para falar sobre, vamos lá. Consegui o ingresso para o show uma semana antes e juro que ia sofrer menos se eu não tivesse ido. Juro. Sabe aqueles shows que, de tão maravilhosos, você fica com depressão depois? Pois é, ainda não superei. Mas estou tentando. 

Para quem não conhece, A-ha é uma banda norueguesa que bombou nos anos 80, a conhecida década de ouro”. Conheço e ouço a banda desde criança porque a minha mãe era muito fã e sempre costumava comprar aqueles DVDs de flashbacks para relembrar os bons tempos. Dentre todas as faixas dos tais DVDs, A-ha ganhou minha admiração desde os 8 anos por terem os clipes mais legais (quem não conhece o clássico Take on Me?) e serem um trio que, convenhamos, muito lindo! Haha

Chegamos no local do show por volta das 18hrs e os portões se abririam às 20hrs. Que eu saiba, não tinha ninguém acampado lá e até estranhei o fato da fila não estar tão grande como o esperado. Pelos meus cálculos, ali estavam umas 50 pessoas na minha frente. 

Ficar 2 horas na fila não é fácil e por isso tem que valer a pena o sacrifício. Após a abertura dos portões, ainda esperei literalmente imóvel mais 2 horas para que o show começasse. Consegui pegar um lugar atrás de uma pessoa que estava na grade, no lado direito da pista e muito perto do palco. Sair para tomar água ou ir ao banheiro? A simples hipótese de pensar em sair dali faria você perder seu lugar. 

O Curitiba Master Hall é coberto e muito pequeno. Quando o show começou era de se impressionar a quantidade de pessoas que tinham ali dentro naquele curto espaço. E por falta de ventilação e superlotação, o calor era quase insuportável. Irrespirável, a palavra certa. A produção realmente pecou em não ter escolhido um lugar melhor para um show internacional como esse. Mas tudo bem, valeria a pena.
Morten Harket
Só foi Morten (o vocalista da banda) subir ao palco para a galera pirar. Como disse um redator do site da Gazeta, ele está “naquela fase entre o galã maduro e tiozinho”. Gente, impressionante. O cara tem 56 anos e um corpo de 30, dava uns sorrisos tímidos no palco e até tirar os óculos se tornava uma ação extremamente sexy. As fãs gritavam!

O show parecia uma típica discoteca dos anos 80. Fizemos coros lindos. Foi então que, após cantarmos The living in daylights, Morten olhou para a direção onde estava e uma a moça atrás de mim ergueu um cartaz que dizia algo como “Hoje é meu aniversário, tira uma foto comigo”. Ele então sorriu desceu do palco! Por sorte, nessa hora eu estava filmando:


Socorro, esse foi o momento mais louco do show! No vídeo não dá para ver, mas quando ele desceu do palco todo mundo avançou! Eu estava muito perto e mesmo assim não consegui sequer estender a mão para tocar nele. Mas bom, pelo menos o vi de pertinho. Nem rugas o cara tem, gente!

O melhor momento sem dúvida foi quando cantamos Hunting High and Low, e não sei por que, mas em todos os shows Morten é todo melancólico ao cantar essa música. Inclusive no Rock in Rio chegou a chorar discretamente. Crying in the rain é uma das minhas preferidas e também foi excepcional. Aliás, todas essas canções tristes parecem ficar ainda melhores cantadas com a emoção ao vivo.

O show acabou alguns minutos antes da meia noite. O grupo agradeceu e fez um comentário de que a primeira vez em Curitiba tinha sido em 1989. Legal imaginar que nessa época eu nem tinha nascido! E agora eles estavam lá, quase 26 anos depois, ainda na ativa, fazendo um tour no mundo todo.

Para quem não conhece a banda, aqui vão algumas músicas que fizeram bastante sucesso:

Nota: Este post não tem o objetivo de trazer uma receita pronta ou passos infalíveis para você tirar uma boa pontuação. Aliás, caso veja algo do tipo algum dia, duvide. Resolvi escrevê-lo porque dois amigos (alô Carlitos e Alex!) pediram para que eu desse algumas dicas de redação por e-mail. E bom, já que tenho um blog, pensei na ideia de compartilhar com mais pessoas as minhas impressões sobre a redação do Enem.

Redação pode ser um pavorzinho para muita gente. E admito, para mim sempre foi. Mas aos poucos a gente vai perdendo o medinho e vê nessa parte da prova uma grande chance de expor muita coisa legal e ser livre para pensar. Eu nunca tive o costume de treinar redação, mas sempre gostei de escrever. A primeira vez que fiz a prova do exame, em 2012, obtive 760 na prova de redação. E em 2013 tirei 980, talvez influenciada pela euforia de um concurso de redação no qual obtive a segunda posição. Pensei até na possibilidade de ter tido a sorte de um corretor gente boa e bem humorado, porque sempre vejo problemas no que escrevo e nunca esperei uma pontuação alta dessas. E eis que em 2014 a pontuação se repetiu novamente. 980, pela segunda vez.

Gráfico do percentual de pontuações na redação do último Enem
Abaixo, reuni algumas dicas que humildemente considero úteis para qualquer pessoa que irá fazer Enem este ano. Espero que gostem, qualquer dúvida é só comentar ou entrar em contato!

Se liga no que o Enem quer de você
Você já ouviu falar das competências cobradas pela redação do Enem? Se não, não tem problema. Vou listar elas agora para você:

1 – Domínio da norma padrão da língua escrita
Avalia a sua habilidade de escrita, que elenca os mais variados conhecimentos: utilização correta de pontuação, estruturação de frases, etc. 

2 – Compreensão da proposta
Esse é a famosa “fuga ao tema”. Se você compreendeu bem a proposta e entendeu qual o X da questão sobre o qual você deve redigir, já garantiu esse tópico. 

3 – Capacidade de organizar e relacionar informações
Essa competência julga o quão habilidoso você é em juntar todas as suas impressões e informações sobre o tema e organizá-las de modo inteligente, correlacionado.

4 – Construção da argumentação
Se você conseguir organizar todas as informações como cobra o item 3, provavelmente vai chegar à um objetivo final de argumentação. Essa competência procura saber a sua posição sobre o tema a partir de seus argumentos construídos ao longo do texto.

5 – Elaborar proposta de intervenção ao problema exposto
Para tudo existe solução! Er...nem tudo. Mas lembre-se que a chance de colocarem um tema extremamente complexo e sem-solução no Enem é QUASE zero (para depois não virem me dizer que afirmei asneira). Nessa competência, você deve - e vai, por favor- arranjar alguma solução, nem que seja para iludir a society (o corretor, no caso).

- Mari, por que isso é importante? Migx, o Enem não é como o vestibular tradicional. Ele foi criado exatamente com a proposta de acabar com esse conhecimento “decoreba” (vulgo falsiane) da maioria dos vests do país. Se você já fez a prova algum dia já deve ter percebido o quão repleta ela é de textos e questões dinâmicas e, na minha opinião, inteligentes. Essas competências cobradas são exatamente o que se espera desse aluno não-falsiane!

Problematize!
“Publicidade infantil? Que tema ruim!” Gente, não existe tema ruim. Parem de mimimizar as coisas! Ficar com essa de tema ruim só deixa a sua amiga paranoia ainda mais louca com os possíveis temas. Você pode ter escrito sobre diversos assuntos e na hora H cai algo inimaginável. Por isso, o mais importante que precisa saber é: O tema é sobre algo no qual você não tem domínio? Problematize! Leia a coletânea auxiliar presente na proposta de redação, extraia o máximo de informações possíveis e tire suas impressões. Pode ter certeza de que, se determinado tema foi posto, com certeza tem alguma relevância socialmente. Por isso, trata-se de um problema. E o que você deve fazer com esse problema no desenvolvimento da sua redação é problematizar ainda mais. Ninguém quer que você disserte conceitos ou só emita opinião. Antes de tudo, é necessário levantar todos os viés da questão e escolher alguns para problematizar

Bônus: Algo que eu faço e funciona comigo é o famoso “brainstorm”, chuva de ideias. Reúno tudo o que penso sobre o tema e vou anotando por meio de tópicos. Escolho o que se encaixa melhor e vou montando a minha redação. 

Não se preocupe em ter uma linguagem sofisticada e uma gramática impecável
Migo, ninguém liga se você sabe as palavras mais difíceis do dicionário e seus significados. Isso mesmo. Nobody yes door (Ninguém sim porta). Além disso, não fique perdendo tempo demais preocupado diante de alguma dúvida gramatical. Calm down! Se sua redação estiver interessante e bem fundamentada, esse erro passará despercebido pelo corretor. Mentira, talvez se o erro estiver realmente gritante... Mas mesmo assim, não é algo tão relevante levando em consideração os outros critérios (competências) que pontuarão o seu texto.

Trace um estilo à sua redação
Se você escrever três redações em um curto espaço de tempo sobre temas diferentes sem dúvidas vai ter encontrado uma forma mais confortável de escrever. A partir da estrutura padrão de redação (a introdução, o desenvolvimento e a conclusão), é legal encontrar um meio costumeiro para quando chegar o grande dia você não se desesperar. Por exemplo: Nunca consigo escrever 5 parágrafos! O meu desenvolvimento é sempre muito conciso, e dois parágrafos não muitos longos são suficientes. Também curto utilizar alguns termos específicos: De fato, Desde os primórdios, Contudo, Ademais. Esse foi um formato que encontrei para redigir as minhas redações. Funciona comigo. Por isso, aconselho que você encontre essas empatias pessoais e utilize-as em suas redações, principalmente para ganhar tempo no dia da prova.

Faça citações e embasamentos concretos 
Uma das coisas mais legais que considero no Enem é a liberdade que você tem para ser interdisciplinar na redação. Por isso, aproveite isso e traga muita cultura e mostre ao corretor o quão informado você é (ou não, ao menos tente passar essa impressão haha). VAMO, MOSTRA CULTURA! Traga citações filosóficas de algum pensador que você goste e que se encaixe ao tema, lembre aquele artigo da Constituição Federal que estabelece a igualdade entre as pessoas, relembre aquele fato ocorrido ano passado em tema sobre manifestações populares... Escolha algo concreto para enriquecer a sua redação e torná-la interdisciplinar. Vale utilizar ciência, história, jornalismo, legislação e muito mais!

Dê uma atenção especial à proposta de intervenção
Em minha opinião, a proposta de intervenção deve ser o núcleo da sua redação, ou seja, tudo o que você argumenta e expõe deve se tornar claro ao você estabelecer uma solução. A culpa é toda do governo? Pode até ser, mas acho arriscado dizer isso literalmente. Por isso, sempre é melhor propor soluções mais efetivas e práticas para o problema. Por exemplo: Lembro que no tema de Publicidade Infantil propus que houvesse a moderação de conteúdo publicitário para o público infantil e que isso seja especificamente realizado por psicólogos e psicopedagogos, já que estes possuem conhecimento para identificar o que pode afetar negativamente no desenvolvimento de uma criança. Além disso, também citei a necessidade de haverem mais propagandas que incentivem a prática esportiva infantil e alimentação saudável. E olha só, isso pode muito bem ser realizado pelo governo! Então, é só pensar em ideias práticas e específicas e incrementar na sua redação. Acho que uma proposta de intervenção muito abstrata e toda linda (cheia de mimi) pode não chamar muito a atenção do corretor. Por isso, tentar inovar trazendo ideias precisas é sempre uma boa!

Não seja pessimista ou muito idealista na conclusão
Resumindo: Não seja um carrancudo ou sonhador! Se você argumentou sobre a sua proposta de intervenção, no final deve admitir a possibilidade das coisas serem imprevisíveis e necessitarem adaptações. Por isso, é legal concluir a redação citando as particularidades do problema (isso não é pessimismo, é senso crítico), mas permitindo-se ter um otimismo sincero. Aliás, se você não acreditar no que acabou de escrever, como espera que o corretor acredite?

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Hoje foi mais um dos dias em que a disposição para viver passou longe. E na real, nem chegou mesmo a passar. E para melhorar (ou não), estava lendo um livro de contos do Miguel Reale, quando me deparo com a história de um senhor de 75 anos enclausurado em sua própria existência:

“Olhou seu corpo, o qual usufruíra por setenta e cinco anos. Levara aquela carcaça por inúmeros lugares, apresentara-a a diversos ambientes, esfregara-a em variados corpos femininos, fizera-a percorrer espaços em apressados passos. Agora nada significava sem os adendos que lhe compunham de modo essencial: a dentadura, os óculos, a bengala, o aparelho de surdez.”
Isso me fez pensar muito sobre a fragilidade da existência e do nosso corpo. E especialmente, me fez questionar se estou aproveitando o tempo e a juventude da forma mais proveitosa: Ser indisposto a maior parte do tempo é aproveitar a juventude? Onde está a proatividade em que tantos falamos?

Será que O DIA do senhor ali da história vai chegar para mim? Afinal, será que um dia irei acordar e ver que não posso mais fazer o que quero por impedimentos físicos? Haverá o momento em que somente irei ver insipidez nesta vida cheia de alternativas? Até quando o meu corpo não me limitará a fazer minhas escolhas e ser independente?

E o pior é que sabemos que aos poucos vamos nos tornando cada vez mais limitados. Comecei a usar óculos, não tenho mais fôlego para correr como em outros tempos e...não, não é preocupante por não serem coisas tão relevantes.  Mas e quando for? Envelhecer é natural, óbvio. Mas é temeroso pensar na possibilidade de que um dia possamos ter arrependimentos e não podermos fazer nada.

Por enquanto, talvez o melhor a fazer seja tentar apreciar ao máximo as coisas que sempre lhe fascinaram e tentar sempre vivenciar novidades que não poderiam ser realizadas na velhice. Sempre gostei de dança, mas nunca procurei uma em específica para praticar. Sempre quis aprender a tocar violão, mas nunca movi um dedo para mudar essa realidade. Juventude, eu sei que aos poucos você vai se esvaindo, mas não ouse em ir embora tão depressa. Só tenho uma pergunta a fazer: Quando isso acontecer, o quão serei eu ainda?

Ouvindo: The White Buffalo - The house of the rising sun



Desde que sai de casa, parece que a coisa mais importante que aprendi foi: ficar em casa é sempre a pior opção. Nos dois sentidos, o de ficar no ninho do conforto ou ficar em casa, no sentido literal. Você merece viver novas coisas. Passar por perrengues. Desfrutar de uma liberdade independente de que não usufruiria caso estivesse no comodismo inerente do seu lar habitual.

Sei lá, você aprende a cuidar de si mesmo de uma forma autêntica porque inventa modos próprios para fazer as coisas que sempre fez ou a partir de agora precisa fazer. Se você está em um lugar estranho não há ali ninguém que fique lembrando como você é. Quiçá, não há também alguém que se surpreenda por uma atitude pouco provável que seria provinda de você. Você se reinventa. 

Não fique em casa

by on 11:40
Desde que sai de casa, parece que a coisa mais importante que aprendi foi: ficar em casa é sempre a pior opção. Nos dois sentidos, o ...
Quando o final de semana está acabando: The Smiths – Everyday is like Sunday



...E você simplesmente não tem estrutura emocional para iniciar uma nova semana. O vocalista de The Smiths te entende, migo. Deita, ouve e chora porque amanhã é segunda-feira e everyday is like sunday, everyday is sad and grey.



Quando você foi feito de trouxa: Aha – Crying in the rain


Eu amo essa música porque ela consegue expressar o orgulho de ser trouxa de uma forma maravilhosa:

I will never let you see
The way my broken heart is hurting me
I’ve got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I’ll do my crying in the rain

Eu nunca deixarei você ver
Como o meu coração partido está machucando
Eu tenho orgulho e sei esconder
Toda a minha tristeza e sofrimento
Eu vou chorar na chuva

Quando o lance com o crush se findou mesmo: Arctic Monkeys – Love is a laserquest


Melhor música para esquecer o crush (ou não). Olha só esse trecho:

And when I'm hanging on
By the rings around my eyes
And I convince myself I need another
For a minute it gets easy to pretend that you were just some lover

E quando estou esperando
pelas olheiras em volta dos meus olhos
Eu me convenço de que preciso de outro alguém
Por minuto fica mais fácil
Fingir que você foi apenas mais um amante

Quando você foi mal em alguma prova: Lana del Rey – God knows I tried


Essa música é bad PRA CARALHO. Não me responsabilizo por tendências suicidatórias, tenha certeza de sua sanidade mental antes de ouvi-la. E calma, só foi uma prova.

Quando você está se sentindo cada vez mais dark and trevas: Lana Del Rey – The backest day


Considero esta uma das músicas mais góticas da Lana. Apesar de ter um mimizinho romântico, é dark o suficiente para se enquadrar no contexto:

Because I’m going deeper and deeper
Harder and harder
Getting darker and darker

Porque eu estou indo mais fundo e mais fundo
Mais e mais
Ficando cada vez sombria e mais sombria

Quando ninguém consegue te entender: The Vaccines – A lack of understanding


I’ve got too much time on my hands
But you don’t understand
Or you won’t understand

Tenho muito tempo nas minhas mãos
Mas você não entende
E nem irá entender

Quando você está numa bad inclassificável e precisa simplesmente de uma música que te dê paz: Fossil Collective – Guaratuba


Já falei de Fossil Collective aqui no blog. E gente, que banda! Simplesmente para mim basta ouvir a voz desse cara para ficar zen da vida. Essa Guaratuba então, pura calmaria.

E vocês, quais são as preferidas para curar a bad?
1. Parque no Jardim das Américas
Não sei o nome desse parque, mas fica bem perto do Colégio Medianeira e dentro do bairro Jardim das Américas. Todas as vezes que fui lá vi uma galera praticando longboard. O parque tem um relevo bem alto, e por isso, é excelente para ver o pôr do sol! Quando fui, peguei o finalzinho de um porque não sabia que o sol aqui no PR ia embora tão cedo – por volta das 17h, se não me engano. Além disso, perto desse parque tem uma avenida com uma ciclovia para dar umas pedaladas. Então dá para unir o útil ao agradável!



2. Memorial de Curitiba
Esse fica no Largo da Ordem, e pelo que vi, muita gente não o conhece. Lá não paga entrada e tem exposições legais de artistas regionais, mais algumas infos históricas (que cá entre nós, tava com presa), e uma escada que te leva até uma vista bem legal da cidade:



Poesia de blocos que você próprio monta. Essa foi a que a minha amiga fez.

3. Bosque Alemão


Se você pegar o ônibus da linha de Turismo, vai ter a opção de parar para conhecer o lugar. É um dos pontos mais bonitos que eu fui aqui em Curitiba. Lá tem a “trilha de João e Maria” com direito à parada na casa da Bruxa – a casa não é feita de doces ou pelo menos, não experimentei -, que contam histórias para crianças que ali passam. Eu fui apenas observar, certo? O caminho da trilha é bem de boas (vulgo: não muito cansativo) e ao chegar a um certo ponto do trajeto, você se depara com essa escadaria de arquitetura linda:

Lá, você tem essa vista parcial da cidade:


Ainda há vários outros lugares que proporcionam uma boa vista da cidade, mas por enquanto, só conheço esses aí. Alguém de Curitiba para dar alguma ideia? :)
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Número de páginas: 159

“Mas durmo o sono dos justos por saber que minha vida fútil não atrapalha a marcha do grande tempo. Pelo contrário: parece que é exigido de mim que eu seja extremamente fútil, é exigido de mim inclusive que eu durma como um justo.” (O ovo e a galinha, pág. 58)

Sou bem suspeita para falar de Clarice Lispector porque adoro autores existencialistas. E a Clarice, como vocês devem saber, tem uma capacidade incrível de transformar qualquer ação humana, como observar um ovo em cima de uma mesa, por exemplo, em uma enorme questão: cheia de ramificações, indagações e percepções interiores.


Comecei a ler Felicidade Clandestina no ano passado pois ele cairia na prova do vestibular da UFT. Assumo que, como muitas pessoas, sempre tive certa restrição para com esse tipo de leitura. Muita gente considera banal, fraca ou típica “filosofia de facebook” e eu também assim a considerava, motivada por esse “pré-conceito social”.

Foi então que, dias atrás, estava olhando alguns títulos da biblioteca de onde eu moro e vi dois livros da autora dando sopa em uma estante. Um deles, esse. Comecei a ler sem muita pretensão de terminar, mas acabei que conclui o abandonado livro do ano anterior.

Adoro usar post-its de plástico para marcar as páginas com frases que mais me interessaram.
O que dizer dele? Felicidade Clandestina possui uma leitura bem leve. É constituído por diversos contos, não relacionados logicamente, dos mais variados personagens, eu-líricos e estilos de vida.  Alguns dele parecem ser relatos da própria vida de Clarice, como o “Come, meu filho” que seria um diálogo dela com seu filho.

Grande parte das histórias trazem a epifania do personagem, que seria o momento de transformação em que ele passa ao encontrar-se ou compreender sentido a algo.  Esse aspecto da transcendência do personagem é bem típico de Clarice, como dizia meu professor de literatura do cursinho. Aliás, saudades Josa.

Ao ler o livro talvez você se sinta um pouco: Criança, no conto “Felicidade clandestina”. Adulto, em “O ovo e a galinha”. Talvez um jovem intenso em “Amizade Sincera”. Ou até mesmo uma velhinha abandonada em “O grande passeio”. Aliás, considerei esse último o melhor de todos!

E vocês, já leram este ou algum livro da autora? O que acharam?

Tá foda viver. Acordamos esgotados como se carregássemos o fardo pesado de uma existência. Esgotados. Levantamos por algo que acreditamos fazer sentido para nós, quando na verdade esperamos o fim de semana para respirar um pequeno ar de não-obrigação. Mas estamos lá. Acompanhando a massa. Buzinando nas ruas caóticas das cidades antes mesmo das 07 da manhã. Seguimos. Manda mais café. Mais ritalina. Mais artificialidade para criarmos uma falsa resistência. Em busca de sabe-se lá um objetivo de vida ou um simples cumprimento de obrigação. Tá foda viver. Estudamos como loucos para passar em provas que acreditamos piamente serem determinantes para o começo de uma fase que faça sentido. De algo que realmente nos faça nos encontrar no mundo. Mas a gente se esgota. Independentemente da escolha aparentemente certa ou não. A gente se esgota de qualquer jeito. Tá foda viver.

Criamos compulsões, as mais variadas. Compulsão alimentar. Consumista. Compulsão de desperdício de vida. De todos os tipos. Compulsão.  Tá foda viver. A gente se resume por tanta cobrança, por tanta agitação. Por falta de ar fresco. Nos prédios. Sem varandas. Lá ficamos desenvolvendo o peso que é viver numa busca incessante e sem sentido por um vazio de vida. Tá foda viver. A gente se resume tanto em obrigação que nos impressionamos quando temos uma atitude puramente interior. Evitamos expressar sentimentos e inquietudes. Porque é banal. Porque não tem tempo. Porque é melhor deixar para lá. Porque passa. Por quê? Porque. A gente. Não valoriza. A porra. Da humanidade. Mas uma hora a gente explode. De stress. De martírio. Quem dirá, explode de si mesmo. Não de repente. Mas aos poucos a gente vai se fragmentando. Pois é. Tá foda viver.

P.S.: Leia as palavras em negrito na ordem. Queria saber a resposta.

Sobre pesos de vivência

by on 19:23
Tá foda viver. Acordamos esgotados como se carregássemos o fardo pesado de uma existência. Esgotados. Levantamos por algo que acredita...
Foto: Verônica Borges

1. Você não é obrigado (a nada)
Essa é a filosofia de vida mais genérica de todas porque se adequa a qualquer situação. Sim, você não é obrigado a fazer o que não quer, ir, viver, ser o que não quiser ser... Se tem uma coisa necessária que herdamos do Estado Liberal (para a galera de exatas, é basicamente aquele Estado que não se preocupava com sua função social, só com a aplicação bruta das leis), é a liberdade. Então se a liberdade tá aí pra gente usufruir e, às vezes, ficamos desconfortáveis por determinada situação que em parte é mais impulsionada pela vontade dos outros, lembre-se: não, você não é obrigada a nada. So, do whatever you want.

2. Enjoy
Você está numa festa com uma música ruim e de repente, já se vê reclamando e incomodado com isso. Migo, se não for para fazer nada – você poderia ir muito bem pedir para tocarem outra coisa, o que te impede de fazer isso? –, melhor nem começar com esses pensamentos controladores. Essa necessidade de manter controle sobre tudo desperdiça a oportunidade de vivenciar novidades e torna negativa sua sincronia com o ambiente. Tá, e daí que a música tá ruim? Aproveita para dançar com os amigos que estão ali, de repente criar uma coreografia babaca ou fazer novas amizades com uma galera esquisita que está ali perto. Depois, tudo vira história para contar! Aproveitar o momento é a coisa que mais demorei para aprender nessa vida, e olha, é um processo constante

3. Culpe-se menos
Essa seria uma das ferramentas para praticar o item 1 e 2. Portanto, pare de se culpar porque o perfeccionismo e a necessidade de controle te impede de muita coisa, inclusive praticar o Deboísmo. Partindo do pressuposto de que ninguém é obrigado, culpe-se menos para aproveitar os momentos! 

4. Hobby, para quê te quiero
Pode ser um esporte, uma religião, uma atividade (blogar, trabalho voluntário, por exemplo) ou outras milhares de coisas. Desempenhar uma tarefa que é um instigante para você é ótimo para os momentos de bad, stress ou quando você está numa crise existencial interminável. Ter um hobby é como um amparo para estes momentos. Portanto, quanto mais cedo você descobrir o seu – que óbvio, pode eventualmente  mudar ao longo da vida –, melhor.

5. Falei foi audácia!
É legal ter ousadia, seja nas coisas mais radicais ou mais simples. Vale escalar o pico mais alto do seu estado, tomar atitude em relações amorosas ou o raio que o parta! Ser ousado, na medida do bom senso, impede frustrações por perspectivas e, de certa forma, deixa você mais desapegado. Quando você encara o medo de ousar, torna-se de certo mais resistente.

E vocês, quais foram as lições que tiraram ao longo da vida?
Post-its talvez não tenham sido criados para lembrar o que você deve fazer e sim para desenhar algo aleatório enquanto você procrastina
“Disciplina é liberdade”, assim disse Renato Russo em uma de suas músicas. Mas, será? Esses dias me peguei pensando no quanto estou irresponsável e desorganizada com os afazeres da faculdade. Se esta é minha única função na sociedade, ser estudante, por que é tão difícil fazer as coisas direito? 

Que a disciplina e organização são fatores essenciais para se ter sucesso em qualquer coisa na vida, todo mundo sabe – ou ao menos é o que foi ensinado como o correto. Passado essa preocupação inicial, comecei a refletir que a falta de disciplina pode ser vista sim como algo que não deve ser tão levado à finco na vida cotidiana. Sabe por quê? Tomemos um exemplo: Procrastinação, aquele hábito de autossabotagem que é constituído por uma sensação de “culpa adiável”. Um procrastinador é sempre ansioso, mas quando está no momento em que usufrui da liberdade e adia um compromisso na medida mais adiável possível, está de certa forma prolongando aquela agitação que sentirá decorrente da culpa e obrigação. 

E nesses devaneios, cheguei à conclusão de que: procrastinadores e pessoas organizadas estão em condições iguais porque o fato de você ser organizado não o torna imune da agitação. Aliás, esta talvez singelamente lhe acompanhe na medida em que você tentar manter o controle para que as coisas saiam tudo no eixo. E imagina quando as coisas não saem como o planejado para alguém muito controlador? A agitação é ainda mais intensa, já que este teve ciência de suas ações e esforços para que tudo ocorresse bem, enquanto o procrastinador pode atribuir o fato de que o errado assim se fez por sua irresponsabilidade, e não incompetência. Um procrastinador nunca será incompetente. Alguém organizado está sujeito a ser considerado assim. 

E olha só, talvez deva até ser menos estressante ser um procrastinador, já que o sentimento de procrastinação te dá um momento de liberdade, que depois será convertida em culpa, mas mesmo assim, uma liberdade momentânea. E vem cá, momentos assim são importantes em uma vida tumultosa e cansativa. 

Não pretendo aqui incentivar irresponsabilidades. Apenas trago um pensamento de que ser muito organizado, e consequentemente, ter controle sobre as coisas talvez seja um erro, te esgote de certa forma e não seja algo tão saudável. Por isso, é natural e humano escolher ver o episódio daquela série enquanto você deveria estar desempenhando alguma atividade chata. E olha, você não precisa ficar se culpando por isso. Apenas aproveite o momento de procrastinação, a vida não deve ser um martírio e uma sucessão de obrigações sem um momento de pausa. E para mim, liberdade é exatamente isso: estar fazendo algo quando na verdade você deveria estar fazendo outro. Se chamam isso de procrastinação, eu chamo de liberdade.


Hoje eu escrevi esse texto enquanto deveria estar estudando, e você?
E para estrear o nosso queridíssimo projeto "Um filme de cada país", trouxe uma sugestão de drama mexicano que  me tirou um baita tempo para escolher, pois fiquei em dúvida entre Biutiful e La jaula de oro. Como o primeiro é um filme mais conhecido, decidi trazer o segundo. De qualquer forma, caso tenha oportunidade, sugiro assistir os dois.

A jaula de ouro (La jaula de oro, em espanhol) é um drama mexicano estreado em 2013. Assiti-o na Mostra de Direitos Humanos que ocorreu no Sesc - aliás, fica a dica, acontece em todas as capitais do Brasil todos os anos -, e sem dúvidas, foi um dos melhores filmes que assisti ano passado.

A história é de um grupo de imigrantes (crianças) que fogem de seus países em busca de oportunidade de trabalho nos EUA. Durante o trajeto, enfrentam diversas situações de miséria, preconceito e exploração. Sabe aquele tipo de filme que te dá um soco na barriga? Então.

La jaula de oro consegue trazer de uma forma realista e bruta a questão da desigualdade social numa perspectiva transitória. Ao mesmo tempo, transmite uma certa crítica em relação ao sistema capitalista, pautado principalmente pela desumanidade no qual são submetidos os imigrantes de fronteiras estadunidenses.


A fotografia é excepcional, a atuação dos personagens consegue convencer muito bem e o roteiro é indescritivelmente forte. Enfim, prefiro não dar mais detalhes da história porque senão daqui a pouco já estarei contando o final do filme. Prefiro assim, que se surpreendam. Sem dúvidas, vale a pena dedicar o tempo para prestigiar este filme mexicano, que aliás, recebeu o prêmio Ariel do México em diversas categorias. Infelizmente, trata-se de uma produção não muito conhecida no exterior. Quem curte Drama e Direitos Humanos sem dúvidas vai gostar muito!

Trailer:




P.S.: Não julgue o filme pelo trailer porque ficou bem sem-graça mesmo.

Hoje faz exatamente meio ano que sai de onde morava, Palmas-TO, para estudar em terras curitibanas. Uma reviravolta tremenda e inesperada que nunca imaginaria que iria acontecer. Durante esse tempo, conheci pessoas, lugares e levei vários choques de realidades, do tipo:

1. Nem tudo são flores e lugares não são perfeitos
Não conhecia Curitiba e minha visão sobre a cidade era bem romantizada. Cheguei e vi que a "Cidade Modelo" tem sim muitos problemas típicos de grandes cidades. As diferenças que notei em relação ao que eu conhecia são várias, mas posso destacar estas: aqui há muitos moradores de ruas, e, sério, não é exagero. Em todos os lugares e em todos os horários, pessoas aglomeradas em situações subumanas. Aqui em Curitiba, pelo que sei, existem algumas instituições que realizam trabalhos, mas de fato, não é suficiente para a demanda.

Outro ponto que estranhei é que há gente em todos os lugares, muita gente! É agonizante! Experimente ir na 15 de novembro - rua de compras conhecida aqui - em um sábado à tarde. Eu, que morava em uma CAPITAL de aproximadamente 300 mil habitantes, me senti do interior quando cheguei aqui. Já conhecia cidades muito grandes como o Rio, mas morar é completamente diferente. O ritmo de vida não é o mesmo, além de que o trânsito é muito louco. Embora eu vá caminhando até a faculdade, atravesso aproximadamente seis faixas de pedestres por dia, quando não mais. Enfim, sair da minha cidade me deixou com um certo sentimento de não ter aproveitado o bastante alguns aspectos dela.

Rua das flores
Me sinto em Crepúsculo com essas árvores gigantes 
2. Leve a japona
O fator clima talvez seja o ponto principal da diferença norte-sul. Aqui, ando de casaco aos 20 graus, enquanto do meu lado um curitibano está a reclamar de calor com um óculos de sol retirando um bloqueador solar da mochila e pensando em comprar um chapéu do boliviano ali na calçada. Mas de fato, aqui o clima é sim uma tripolaridade: Ter uma instância de chuva, frio e sol (apesar de que o sol daqui para mim seja quase insignificante, na boa) em um único dia em Curitiba é algo normal. 

2. Comida boa não brota
Esse é o choque principal! Não sei cozinhar absolutamente NADA e há alguns tempos atrás isso não faria diferença na minha vida. Mas hoje a situação é diferente, e quando a fome aperta e você simplesmente quer COMIDA e não fast food, não há muito o que fazer. No início, sobrevivia de pão, iogurte, café solúvel em água e almoço de restaurante. Mas, como moro em república, sempre tem uma galera legal que ajuda você. É triste e engraçado, porque muitas pessoas estão na mesma situação que você!

Jardim Botânico de um ângulo pouco conhecido

3. A dúvida sempre permeia a existência
Quem me conhece, sabe que a dúvida  do que escolher para a vida me rodeia desde que me entendo por gente. Escolhi Direito por vários motivos, mas principalmente por uma afinidade de matérias e pela possibilidade de trabalhar em algo que faça a diferença na vida das pessoas de forma EFETIVA, como por exemplo, direito para políticas públicos. Entrei em um grupo de estudos avançados de Direito Internacional, e talvez isso me direcione de alguma forma. Enfim, cheguei à conclusão de que nenhum curso foi feito para você. O que você escolhe é um estilo de vida, e talvez uma causa para a qual você quer destinar boa parte do seu tempo de vida. Ninguém pode ter absoluta certeza do que quer antes de começar.

4. Lidar com a saudade
Eu adoro ficar sozinha, então este não foi um ponto tão sofrido na adaptação. Brincadeira, foi sim. No início, então? Odiei a universidade, as pessoas e a cidade principalmente pelo choque cultural e as incertezas decorrentes, e isso fez com que eu sentisse ainda mais saudades de casa e da família. Porém, depois que passei a fazer tudo por mim, adquiri certa autonomia, o que me fez driblar esse choque inicial.

5. A adaptação é contínua
Apesar de tudo, ir embora é um processo contínuo. Pode se tornar estável a um certo ponto em que se está familiarizado com o ambiente e toda a rotina, mas faz parte do processo ter sempre surpresas e responsabilidades que não aconteceriam se você não tivesse saído da sua terra natal. Apesar de tudo, dos problemas, da falta de grana e tudo mais, estou considerando esta uma fase importantíssima para mim, de grande aprendizados e descobertas!

Curitibanices:
 
1. A cada 10 palavras que um curitibano fala, 8 são "piá" e 2 são "tesão".
2. As pessoas aqui fumam muito. Tipo, muito. Melhorem, migos.
3. Também bebem muito. E não conhecem o famoso cozumel, mal sabem o que estão perdendo!
4. Também não conhecem a querida paçoca de carne seca.
5. Se você sair de dia e estiver aquele lindo sol e aquele friozinho maravilhoso (tipo, uns 16 graus), não se engane: já já chove... ou neva.


1. Fossil Collective: Conheci essa banda pelo Spotify, e me identifiquei à primeira vista! A voz do cantor é bem "preguiçosa", inclusive acho bem parecida com a do vocalista de Coldplay. As músicas do grupo são perfeitas para relaxar, e para mim, combinam muito com o combo viagem + janela +chuva. As minhas preferidas são: Everything but you was facing north, Wolves, Guaratuba e Let it go.



2. Noirre: Esta é uma banda pouquíssimo conhecida, com menos de 300 curtidas na fanpage do facebook - sim, avalio por aí! - e, inclusive, nem no youtube você consegue encontrar a música deles! As letras seguem o estilo de Fossil Collective, mas a batida que acompanha Nite Tales, o único disco da banda, é totalmente diferente, mais vintage e psicodélica eu diria. Ouça: My mistakes were made for you e Lit, no Soundcloud. Abaixo, a versão live da primeira sugerida, e por sinal, a única música da banda no youtube!



3. Postiljonen: Das três, essa é a que eu acompanho há mais tempo. Conheci no blog Oh My Rock (gente, amo esse site!), e logo baixei o disco completo. As músicas seguem uma vibe de calmaria e deboísmo (ótimo estilo de vida, por sinal). Vale ouvir em um dia estressante ou antes mesmo de dormir. Minhas prediletas são: On the Run, Rivers e Supreme.



Yey, voltei! Depois de 1 ano e meio sem nenhum post, resolvi reavivar esse lugar! Para quem já conhecia o blog, espero que curtam a nova abordagem. E para quem não, sejam bem-vindos!