Não fique em casa


Desde que sai de casa, parece que a coisa mais importante que aprendi foi: ficar em casa é sempre a pior opção. Nos dois sentidos, o de ficar no ninho do conforto ou ficar em casa, no sentido literal. Você merece viver novas coisas. Passar por perrengues. Desfrutar de uma liberdade independente de que não usufruiria caso estivesse no comodismo inerente do seu lar habitual.

Sei lá, você aprende a cuidar de si mesmo de uma forma autêntica porque inventa modos próprios para fazer as coisas que sempre fez ou a partir de agora precisa fazer. Se você está em um lugar estranho não há ali ninguém que fique lembrando como você é. Quiçá, não há também alguém que se surpreenda por uma atitude pouco provável que seria provinda de você. Você se reinventa. 


Tenho cultivado uma filosofia bem interessante – e destrambelhada, diga-se de passagem. É a do equilíbrio. Ou pelo menos, a tentativa de tentativa de tê-lo. Sabe por quê? Não vale a pena ser excesso. Nem escassez. Isto é, não vale a pena ser somente e significativamente um dos dois.

A liberdade e a independência são dois pontos essenciais dessa filosofia. Isto porque ter esse equilíbrio não seria tentar arranjar um “ponto ótimo” de situações a partir de uma conduta prudente. Sabe por quê? Ser prudente é ilusório para quem preza liberdade. Assim, me parece que essa filosofia de equilíbrio convencional que ouvimos por aí não passa de uma proposta de limitar-se, e com isso, limitar sua liberdade sempre com a justificativa de ser equilibrado.

Ter equilíbrio é ser, humano. É usufruir dos dois polos de excesso e escassez a partir de liberdades próprias. Parece até ilusório ser assim em um mundo de relações de poder, porém, é ao menos aceitável a ideia de ser verdadeiro consigo em vários momentos da vida. E convenhamos, na maior parte.

O equilíbrio consiste em uma experimentação de gamas, mas sempre respeitando suas vontades interiores. Mas claro, tais vontades interiores não podem estar carregadas de pré(conceitos)-concepções. É deixar-se. Equilíbrio é liberdade. 

Suba na mesa do bar. Permita-se chorar. Caminhe, de preferência depois da chuva que deixou resquícios de nostálgica infância. Não fique em casa. Vá para a festa, aquela mais louca que você há alguns tempos atrás não iria. Mas não vá cedo. Porque se fosse cedo demais a gente nem iria. 

2 comentários:

  1. Acho que o conceito de equilíbrio é justamente o de não se reprimir tanto, apesar da sociedade nos exigir isso. Tu disse tudo: equilíbrio é liberdade. Sobre a zona de conforto, sinto que as coisas só mudam nas nossas vidas, quando saímos dela. Não necessariamente de casa, mas tem inúmeras zonas de conforto nas nossas vidas, hábitos com os quais estamos completamente acostumados: às vezes um caminho diferente pra ir pra casa, uma "puxada" de conversa com alguém que não falamos há anos, uma ideia nova no trabalho... Tudo isso, eu considero sair da zona de conforto. :) Gostei muito do post!

    http://desapegomental.com/

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    1. Jô, concordo muito contigo em relação à zona de conforto! De fato, elas são numerosas em nossas vidas, e esses hábitos realmente não mudam se a gente simplesmente mudar "de casa". A real mudança é sempre interior! Mas admito que pelo menos para mim, sair de casa foi um empurrão para mudar vários hábitos. Estar em um ambiente novo é sempre bom!

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