Nota: Este post não tem o objetivo de trazer uma receita pronta ou passos infalíveis para você tirar uma boa pontuação. Aliás, caso veja algo do tipo algum dia, duvide. Resolvi escrevê-lo porque dois amigos (alô Carlitos e Alex!) pediram para que eu desse algumas dicas de redação por e-mail. E bom, já que tenho um blog, pensei na ideia de compartilhar com mais pessoas as minhas impressões sobre a redação do Enem.

Redação pode ser um pavorzinho para muita gente. E admito, para mim sempre foi. Mas aos poucos a gente vai perdendo o medinho e vê nessa parte da prova uma grande chance de expor muita coisa legal e ser livre para pensar. Eu nunca tive o costume de treinar redação, mas sempre gostei de escrever. A primeira vez que fiz a prova do exame, em 2012, obtive 760 na prova de redação. E em 2013 tirei 980, talvez influenciada pela euforia de um concurso de redação no qual obtive a segunda posição. Pensei até na possibilidade de ter tido a sorte de um corretor gente boa e bem humorado, porque sempre vejo problemas no que escrevo e nunca esperei uma pontuação alta dessas. E eis que em 2014 a pontuação se repetiu novamente. 980, pela segunda vez.

Gráfico do percentual de pontuações na redação do último Enem
Abaixo, reuni algumas dicas que humildemente considero úteis para qualquer pessoa que irá fazer Enem este ano. Espero que gostem, qualquer dúvida é só comentar ou entrar em contato!

Se liga no que o Enem quer de você
Você já ouviu falar das competências cobradas pela redação do Enem? Se não, não tem problema. Vou listar elas agora para você:

1 – Domínio da norma padrão da língua escrita
Avalia a sua habilidade de escrita, que elenca os mais variados conhecimentos: utilização correta de pontuação, estruturação de frases, etc. 

2 – Compreensão da proposta
Esse é a famosa “fuga ao tema”. Se você compreendeu bem a proposta e entendeu qual o X da questão sobre o qual você deve redigir, já garantiu esse tópico. 

3 – Capacidade de organizar e relacionar informações
Essa competência julga o quão habilidoso você é em juntar todas as suas impressões e informações sobre o tema e organizá-las de modo inteligente, correlacionado.

4 – Construção da argumentação
Se você conseguir organizar todas as informações como cobra o item 3, provavelmente vai chegar à um objetivo final de argumentação. Essa competência procura saber a sua posição sobre o tema a partir de seus argumentos construídos ao longo do texto.

5 – Elaborar proposta de intervenção ao problema exposto
Para tudo existe solução! Er...nem tudo. Mas lembre-se que a chance de colocarem um tema extremamente complexo e sem-solução no Enem é QUASE zero (para depois não virem me dizer que afirmei asneira). Nessa competência, você deve - e vai, por favor- arranjar alguma solução, nem que seja para iludir a society (o corretor, no caso).

- Mari, por que isso é importante? Migx, o Enem não é como o vestibular tradicional. Ele foi criado exatamente com a proposta de acabar com esse conhecimento “decoreba” (vulgo falsiane) da maioria dos vests do país. Se você já fez a prova algum dia já deve ter percebido o quão repleta ela é de textos e questões dinâmicas e, na minha opinião, inteligentes. Essas competências cobradas são exatamente o que se espera desse aluno não-falsiane!

Problematize!
“Publicidade infantil? Que tema ruim!” Gente, não existe tema ruim. Parem de mimimizar as coisas! Ficar com essa de tema ruim só deixa a sua amiga paranoia ainda mais louca com os possíveis temas. Você pode ter escrito sobre diversos assuntos e na hora H cai algo inimaginável. Por isso, o mais importante que precisa saber é: O tema é sobre algo no qual você não tem domínio? Problematize! Leia a coletânea auxiliar presente na proposta de redação, extraia o máximo de informações possíveis e tire suas impressões. Pode ter certeza de que, se determinado tema foi posto, com certeza tem alguma relevância socialmente. Por isso, trata-se de um problema. E o que você deve fazer com esse problema no desenvolvimento da sua redação é problematizar ainda mais. Ninguém quer que você disserte conceitos ou só emita opinião. Antes de tudo, é necessário levantar todos os viés da questão e escolher alguns para problematizar

Bônus: Algo que eu faço e funciona comigo é o famoso “brainstorm”, chuva de ideias. Reúno tudo o que penso sobre o tema e vou anotando por meio de tópicos. Escolho o que se encaixa melhor e vou montando a minha redação. 

Não se preocupe em ter uma linguagem sofisticada e uma gramática impecável
Migo, ninguém liga se você sabe as palavras mais difíceis do dicionário e seus significados. Isso mesmo. Nobody yes door (Ninguém sim porta). Além disso, não fique perdendo tempo demais preocupado diante de alguma dúvida gramatical. Calm down! Se sua redação estiver interessante e bem fundamentada, esse erro passará despercebido pelo corretor. Mentira, talvez se o erro estiver realmente gritante... Mas mesmo assim, não é algo tão relevante levando em consideração os outros critérios (competências) que pontuarão o seu texto.

Trace um estilo à sua redação
Se você escrever três redações em um curto espaço de tempo sobre temas diferentes sem dúvidas vai ter encontrado uma forma mais confortável de escrever. A partir da estrutura padrão de redação (a introdução, o desenvolvimento e a conclusão), é legal encontrar um meio costumeiro para quando chegar o grande dia você não se desesperar. Por exemplo: Nunca consigo escrever 5 parágrafos! O meu desenvolvimento é sempre muito conciso, e dois parágrafos não muitos longos são suficientes. Também curto utilizar alguns termos específicos: De fato, Desde os primórdios, Contudo, Ademais. Esse foi um formato que encontrei para redigir as minhas redações. Funciona comigo. Por isso, aconselho que você encontre essas empatias pessoais e utilize-as em suas redações, principalmente para ganhar tempo no dia da prova.

Faça citações e embasamentos concretos 
Uma das coisas mais legais que considero no Enem é a liberdade que você tem para ser interdisciplinar na redação. Por isso, aproveite isso e traga muita cultura e mostre ao corretor o quão informado você é (ou não, ao menos tente passar essa impressão haha). VAMO, MOSTRA CULTURA! Traga citações filosóficas de algum pensador que você goste e que se encaixe ao tema, lembre aquele artigo da Constituição Federal que estabelece a igualdade entre as pessoas, relembre aquele fato ocorrido ano passado em tema sobre manifestações populares... Escolha algo concreto para enriquecer a sua redação e torná-la interdisciplinar. Vale utilizar ciência, história, jornalismo, legislação e muito mais!

Dê uma atenção especial à proposta de intervenção
Em minha opinião, a proposta de intervenção deve ser o núcleo da sua redação, ou seja, tudo o que você argumenta e expõe deve se tornar claro ao você estabelecer uma solução. A culpa é toda do governo? Pode até ser, mas acho arriscado dizer isso literalmente. Por isso, sempre é melhor propor soluções mais efetivas e práticas para o problema. Por exemplo: Lembro que no tema de Publicidade Infantil propus que houvesse a moderação de conteúdo publicitário para o público infantil e que isso seja especificamente realizado por psicólogos e psicopedagogos, já que estes possuem conhecimento para identificar o que pode afetar negativamente no desenvolvimento de uma criança. Além disso, também citei a necessidade de haverem mais propagandas que incentivem a prática esportiva infantil e alimentação saudável. E olha só, isso pode muito bem ser realizado pelo governo! Então, é só pensar em ideias práticas e específicas e incrementar na sua redação. Acho que uma proposta de intervenção muito abstrata e toda linda (cheia de mimi) pode não chamar muito a atenção do corretor. Por isso, tentar inovar trazendo ideias precisas é sempre uma boa!

Não seja pessimista ou muito idealista na conclusão
Resumindo: Não seja um carrancudo ou sonhador! Se você argumentou sobre a sua proposta de intervenção, no final deve admitir a possibilidade das coisas serem imprevisíveis e necessitarem adaptações. Por isso, é legal concluir a redação citando as particularidades do problema (isso não é pessimismo, é senso crítico), mas permitindo-se ter um otimismo sincero. Aliás, se você não acreditar no que acabou de escrever, como espera que o corretor acredite?

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Hoje foi mais um dos dias em que a disposição para viver passou longe. E na real, nem chegou mesmo a passar. E para melhorar (ou não), estava lendo um livro de contos do Miguel Reale, quando me deparo com a história de um senhor de 75 anos enclausurado em sua própria existência:

“Olhou seu corpo, o qual usufruíra por setenta e cinco anos. Levara aquela carcaça por inúmeros lugares, apresentara-a a diversos ambientes, esfregara-a em variados corpos femininos, fizera-a percorrer espaços em apressados passos. Agora nada significava sem os adendos que lhe compunham de modo essencial: a dentadura, os óculos, a bengala, o aparelho de surdez.”
Isso me fez pensar muito sobre a fragilidade da existência e do nosso corpo. E especialmente, me fez questionar se estou aproveitando o tempo e a juventude da forma mais proveitosa: Ser indisposto a maior parte do tempo é aproveitar a juventude? Onde está a proatividade em que tantos falamos?

Será que O DIA do senhor ali da história vai chegar para mim? Afinal, será que um dia irei acordar e ver que não posso mais fazer o que quero por impedimentos físicos? Haverá o momento em que somente irei ver insipidez nesta vida cheia de alternativas? Até quando o meu corpo não me limitará a fazer minhas escolhas e ser independente?

E o pior é que sabemos que aos poucos vamos nos tornando cada vez mais limitados. Comecei a usar óculos, não tenho mais fôlego para correr como em outros tempos e...não, não é preocupante por não serem coisas tão relevantes.  Mas e quando for? Envelhecer é natural, óbvio. Mas é temeroso pensar na possibilidade de que um dia possamos ter arrependimentos e não podermos fazer nada.

Por enquanto, talvez o melhor a fazer seja tentar apreciar ao máximo as coisas que sempre lhe fascinaram e tentar sempre vivenciar novidades que não poderiam ser realizadas na velhice. Sempre gostei de dança, mas nunca procurei uma em específica para praticar. Sempre quis aprender a tocar violão, mas nunca movi um dedo para mudar essa realidade. Juventude, eu sei que aos poucos você vai se esvaindo, mas não ouse em ir embora tão depressa. Só tenho uma pergunta a fazer: Quando isso acontecer, o quão serei eu ainda?

Ouvindo: The White Buffalo - The house of the rising sun